Ana Margarida junto ao microfone

Fados e Histórias · Pó d’Fado

Só Nós Dois: a intimidade de um amor

Uma leitura de Ana Margarida sobre intimidade, privacidade e o olhar dos outros, a partir da canção de Joaquim Pimentel.

01 · Introdução

Há sentimentos que nem sempre são compreendidos por quem está de fora. Aquilo que se passa entre duas pessoas diz respeito, antes de mais, às próprias.

É a partir desta ideia que leio Só Nós Dois. Ao cantar estes versos, reconheço um amor secreto, profundo e sujeito ao julgamento dos outros. A tensão entre aquilo que duas pessoas vivem e aquilo que o mundo julga saber sobre elas é, para mim, o centro desta canção.

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Joaquim Pimentel e Só Nós Dois

Só Nós Dois, de Joaquim Pimentel, integra o repertório gravado por Tony de Matos, como documenta a edição de Lado a Lado, de 1963.

Português com atividade artística no Brasil, Pimentel foi ator, poeta, cantor e compositor. A sua ligação à rádio incluiu a apresentação de programas de música portuguesa no Rio de Janeiro.

Este percurso entre Portugal e Brasil ajuda a enquadrar o autor. A minha relação com a obra começa, porém, na proximidade dos versos: na forma direta como afirmam um sentimento que só as duas pessoas que o vivem conhecem por inteiro.

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Entre a intimidade e o olhar dos outros

Na minha leitura, Só Nós Dois funciona como um manifesto à intimidade e à privacidade dos sentimentos.

Quem está de fora pode observar e julgar, mas não conhece por inteiro aquilo que é vivido entre duas pessoas. É nessa distância entre a experiência íntima e o julgamento exterior que encontro a força da canção.

O amor surge aqui como algo profundo e reservado, cujo significado pertence, antes de mais, a quem o sente. A opinião dos outros não traduz necessariamente essa experiência, nem alcança tudo aquilo que existe entre os dois.

Ao interpretar estes versos, é essa intimidade que procuro transmitir. Há sentimentos que nem sempre encontram compreensão fora da relação, mas que têm um sentido próprio para quem os vive.

É por isso que esta mensagem continua a tocar-me. Reconheço nela a afirmação de que nem tudo o que sentimos pode ser compreendido a partir do exterior — e de que aquilo que pertence a duas pessoas não precisa de ficar inteiramente exposto ao julgamento dos outros.

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Na voz de Tony de Matos

A presença de Só Nós Dois no repertório de Tony de Matos está documentada tanto no disco como no cinema.

O catálogo do álbum Lado a Lado, editado pela Copacabana em 1963, inclui a canção. No ano seguinte, Tony de Matos interpretou-a no filme A Canção da Saudade, realizado por Henrique Campos.

Estes elementos documentam a presença da obra no seu percurso artístico e a sua circulação nesse período.

05 · Ver e ouvir

Pó d’Fado · Só Nós Dois

Só Nós Dois em Pó d’Fado

Depois do episódio educativo dedicado a Joaquim Pimentel, volto à sua obra nesta vertente emocional de Pó d’Fado.

Canto uma estrofe de Só Nós Dois e partilho a reflexão que ela desperta em mim. Entre a profundidade de um sentimento e o julgamento dos outros, encontro uma mensagem sobre intimidade e privacidade que continua próxima.

Vê e ouve o episódio de Só Nós Dois.

Ver no YouTube

06 · Fontes e enquadramento

Créditos e fontes

Obra: Só Nós Dois, de Joaquim Pimentel

Interpretação e reflexão neste episódio: Ana Margarida

Projeto: Pó d’Fado — À descoberta da alma do Fado

A reflexão apresentada neste artigo corresponde à minha leitura artística da obra.

  1. 01

    Museu do Fado

    Tony de Matos

    Enquadramento do percurso do intérprete e da interpretação de Só Nós Dois no filme A Canção da Saudade, de Henrique Campos, em 1964.

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  2. 02

    Instituto Memória Musical Brasileira

    Lado a Lado

    Ficha do álbum de Tony de Matos, Copacabana, catálogo CLP 11297, de 1963, que inclui Só Nós Dois.

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  3. 03

    Instituto Moreira Salles — Discografia Brasileira

    Só Nós Dois

    Registo da composição com autoria atribuída a Joaquim Pimentel.

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  4. 04

    Robertha Pedroso Triches Ribeiro — Varia Historia, 2018

    “Terras da Nossa Terra”: Das ondas do rádio às colunas de jornal

    Contexto da atividade artística e radiofónica de Joaquim Pimentel no Brasil.

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07 · Continuar à descoberta

Outras histórias.
Outras memórias.

Pesquisa, contextualização e leitura artística: Ana Margarida

Pó d’Fado — À descoberta da alma do Fado.

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